
O Panorama Geral: desde o dia 25 de janeiro os egípcios vivem seus “dias de luta”, inspirados na insurgência Tunisiana, que derrubou o ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro, o povo foi às ruas protestar contra o aumento no preço dos alimentos, o desemprego crescente no país e contra o que os manifestantes chamam de “corrupção do governo”.
Estão ocorrendo sistemáticos confrontos contra as forças repressivas do estado, acarretando, infelizmente, em vitimas fatais.
O manifesto foi integralmente organizado pela internet, fato esse que culminou no cancelamento da mesma em todo o território.
È interessante analisarmos esse acontecimento pelo ponto de vista da revolução, pois esta seara muito me chamou a atenção, em relação ao caso egípcio principalmente, pelo fato de que “casou” quase que perfeitamente com a situação em questão.
Primeiro precisamos definir o termo revolução que de acordo com o Dicionário Houaiss designa: "grande transformação, mudança sensível de qualquer natureza, seja de modo progressivo, contínuo, seja de maneira repentina"; "movimento de revolta contra um poder estabelecido, e que visa promover mudanças profundas nas instituições políticas, econômicas, culturais e morais". Resumindo temos que significa uma grande mudança político-social.
As grandes revoluções da historia humana quase sempre seguiram um mesmo roteiro, descontentamento com o estado, quase sempre opressor, e tinham como personagens mais atuantes as camadas mais populares da sociedade, que não por acaso eram as que mais sofriam com a repressão, como exemplos citarei três: a revolução francesa de 1789, a revolução russa de 1917 e a revolução americana de 1776. Fazendo um paralelo com o caso egípcio notasse que a diferença para as três citadas acima é que não se chegou a promover uma mudança ainda nas bases do governo atual, levando-nos a inferir que o termo revolução não se encaixa com o que ocorre no Egito hoje, por esse motivo, o titulo do post de hoje.
Um estado sempre se edificou sobre camadas pobres da massa, sendo elas as responsáveis por prover as camadas mais acima com produtos essenciais ao “convívio”, é um equilíbrio extremamente frágil, que chega a ser intrigante o fato de que uma pequena parcela de pessoas consiga manter um controle sobre outra parcela milhares de vezes maior sem, na maioria das vezes, afetar esse equilíbrio, porém pode ocorrer uma ruptura nessas relações sociais, é nesse contexto que geralmente ocorrem as revoluções, um fenômeno que dificilmente pode ser contido, pelo simples fato de que são milhares de insastifeitos, contra uma pequena elite dominante. Colocando a analise acima de outra forma temos o que, o celebre Karl Marx, em um prognóstico teórico sobre o fenômeno da revolução disse: “Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social.”
Cabe aqui uma frase que vocês já devem ter ouvido sair da boca de muito político: “o governo e feito do povo, sem ele o governo tampouco existe”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário